quinta-feira, 7 de março de 2013

Semanada, quinzenada ou mesada? Por Álvaro Mordernell



Uma relação saudável com o dinheiro começa já na infância
Por Bia Lancha, repórter do Mulheres em Ação  - www.bmfbovespa.com.br

Quando se pensa em educação financeira, não há como deixar de fora as crianças. O que elas aprenderem hoje em termos de gerenciamento de seu próprio dinheiro será útil quando forem adultos, possibilitando uma relação mais saudável com o assunto. Cabe aos pais ajudar no processo, não só com exemplos – bons de preferência, certo? – mas também com orientação. Quem acha que o trabalho é fácil, não tem ideia do tamanho do problema.

A complicação já surge no pontapé inicial: qual a hora certa de colocar os filhotes em contato com o dinheiro? Álvaro Modernell, sócio diretor da empresa de educação financeira Mais Ativos, explica que tudo depende do nível de amadurecimento do pequeno. Entretanto, algumas idades costumam apresentar padrões específicos e o educador dá dicas para cada fase. Veja em qual seu filho se encaixa:

Até os 5 anos: é apenas um processo de familiarização com o dinheiro. É uma ideia bem bacana dar um cofrinho para a criança e deixar que ele fique com os trocos pequenos (vão tomar sorvete? Dê o troco para ela) para encher o porquinho.

A partir dos 6 ou 7 anos: agora as crianças já estão na fase da alfabetização e conseguem ter consciência de números, quantidades e grandezas. Aqui entra um princípio de mesada: a semanada. Mas calma, ainda não é hora de cobranças. A criança não saberá administrar o dinheiro, deixe que ela gaste com o que quer, poupe, cometa erros... O importante é ela aprender a lidar com preços, limites, escolhas.

A partir dos 8 anos: seu pequeno já atingiu o 3º ano do Ensino Fundamental e já consegue administrar o próprio dinheiro. Hora da quinzenada.

A partir dos 10 ou 11 anos: agora, sim. Hora da mesada. Hora, também, de sentar e conversar sobre administração de dinheiro. A partir desse momento, seu pequeno não é mais tão pequeno e pode ter conversas mais sérias.
E nem adianta “entregar o dinheiro na mão das crianças e achar que isso é educação financeira”, alerta Modernell. É necessário estabelecer regras também para os pais. Estabeleceram os valores e as datas? O descumprimento do acordo por parte dos pais afeta a educação financeira da criança. É uma fase em que os filhos devem “ganhar autonomia, mas os pais devem acompanhar os gastos e delimitar padrões”, diz ele.
Na semana que vem, o assunto volta: o Mulheres em Ação mostra quais os principais erros dos pais e como evitá-los.


Álvaro Modernell, é especialista em Educação Financeira para adultos e crianças. Palestrante, consultor e escritor, com livros, artigos e entrevistas publicados no Brasil e no exterior. Graduado em administração de empresas, com mestrado em finanças. Pós-graduado em política e estratégia, em Metodologia do ensino. Atua como professor de educação financeira em MBA e cursos de especialização. Foi membro do GAP-Grupo de Apoio Pedagógico na formulação da ENEF-Estratégia Nacional de Educação Financeira.

Nenhum comentário:

Postar um comentário