Uma relação saudável com o dinheiro começa já na
infância
Por
Bia Lancha, repórter do Mulheres em Ação
- www.bmfbovespa.com.br
Quando se pensa em educação financeira, não há como
deixar de fora as crianças. O que elas aprenderem hoje em termos de
gerenciamento de seu próprio dinheiro será útil quando forem adultos,
possibilitando uma relação mais saudável com o assunto. Cabe aos pais ajudar no
processo, não só com exemplos – bons de preferência, certo? – mas também com
orientação. Quem acha que o trabalho é fácil, não tem ideia do tamanho do
problema.
A complicação já surge no pontapé inicial: qual a
hora certa de colocar os filhotes em contato com o dinheiro? Álvaro Modernell,
sócio diretor da empresa de educação financeira Mais Ativos, explica que tudo
depende do nível de amadurecimento do pequeno. Entretanto, algumas idades
costumam apresentar padrões específicos e o educador dá dicas para cada fase.
Veja em qual seu filho se encaixa:
Até os 5 anos: é apenas um processo de familiarização com o dinheiro. É uma ideia bem bacana dar um cofrinho para a criança e deixar que ele fique com os trocos pequenos (vão tomar sorvete? Dê o troco para ela) para encher o porquinho.
A partir dos 6 ou 7 anos: agora as crianças já estão na fase da alfabetização e conseguem ter consciência de números, quantidades e grandezas. Aqui entra um princípio de mesada: a semanada. Mas calma, ainda não é hora de cobranças. A criança não saberá administrar o dinheiro, deixe que ela gaste com o que quer, poupe, cometa erros... O importante é ela aprender a lidar com preços, limites, escolhas.
A partir dos 8 anos: seu pequeno já atingiu o 3º ano do Ensino Fundamental e já consegue administrar o próprio dinheiro. Hora da quinzenada.
A partir dos 10 ou 11 anos: agora, sim. Hora da mesada. Hora, também, de sentar e conversar sobre administração de dinheiro. A partir desse momento, seu pequeno não é mais tão pequeno e pode ter conversas mais sérias.
E nem adianta “entregar o dinheiro na mão das
crianças e achar que isso é educação financeira”, alerta Modernell. É
necessário estabelecer regras também para os pais. Estabeleceram os valores e
as datas? O descumprimento do acordo por parte dos pais afeta a educação
financeira da criança. É uma fase em que os filhos devem “ganhar autonomia, mas
os pais devem acompanhar os gastos e delimitar padrões”, diz ele.
Na
semana que vem, o assunto volta: o Mulheres em Ação mostra quais os
principais erros dos pais e como evitá-los.
Álvaro Modernell, é especialista em
Educação Financeira para adultos e crianças. Palestrante, consultor e escritor,
com livros, artigos e entrevistas publicados no Brasil e no exterior. Graduado
em administração de empresas, com mestrado em finanças. Pós-graduado em
política e estratégia, em Metodologia do ensino. Atua como professor de
educação financeira em MBA e cursos de especialização. Foi membro do GAP-Grupo
de Apoio Pedagógico na formulação da ENEF-Estratégia Nacional de Educação
Financeira.

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