
Historicamente,
a caderneta de poupança sempre foi a escolha preferida pelos brasileiros para
investimento. Os principais atrativos e argumentos sempre foram a segurança oferecida
pelo sistema bancário e isenção de Imposto de Renda. No passado, com as taxas
de juros altíssimas, a aplicação ainda era sinônimo de rentabilidade. Assim,
segurança, rentabilidade isenta de imposto e a facilidade de fazer depósitos e
saques a qualquer momento, tornaram a caderneta de poupança um ‘prato cheio’
para os poupadores.
Hoje, a
redução das taxas de juros, novas regras para a rentabilidade dessa aplicação e
inflação fazem da caderneta de poupança um grande ‘mico’ de rentabilidade.
Para comprovar
isso, basta olhar para a rentabilidade da poupança em 2012. No ano, a
rentabilidade nominal da aplicação foi de 6,47%. Já o IPCA (índice que mede a
inflação oficial do país) ficou em 5,84%. Assim, rentabilidade nominal menos
inflação significa uma rentabilidade real da poupança em torno de 0,6% em 2012.
Ou seja, quem aplicou R$ 100,00 em primeiro de janeiro teria o poder de compra
de R$ 100,60 em 31 de dezembro, praticamente nada.
Apesar disso, as
pessoas, de forma geral, continuam colocando seus recursos na caderneta de
poupança. É o que mostra levantamento feito pelo Banco Central, segundo o qual os
depósitos realizados em janeiro de 2013 superaram os saques em R$ 2,3 bilhões,
considerado o melhor resultado para o período desde 2010. O saldo final da
aplicação também superou a marca de R$ 500 bilhões.
Há um lado
positivo nesses dados: muitos conseguiram se organizar financeiramente, pagar
as dívidas e ainda guardar dinheiro, além desses recursos fortalecerem o
sistema de habitação brasileiro. Entretanto, muitos poupadores ainda desconhecem
que a poupança atualmente tem um rendimento inexpressivo e que há outras opções
no mercado financeiro que oferecem rentabilidade um pouco maior - talvez nem
todas com isenção de Imposto de Renda ou de oscilação, mas de extrema
importância para compor uma carteira de investimentos.
Como exemplo dos
produtos disponíveis, temos, na renda fixa, títulos públicos, debêntures, CDBs,
LCIs, LCAs e CRIs. Já a renda variável dispõe de ações, fundos de ações, fundos
multimercados, fundos de investimentos imobiliários commodities e os
derivativos negociados em Bolsa de Valores. Opção não falta.
Mas se há
variedade de produtos financeiros, porque a poupança ainda é a preferida? Por
pura falta de conhecimento. Para investir nesses produtos, é preciso conhecer
um pouco mais sobre eles, como as taxas praticadas pelos agentes financeiros,
prazos, análises de perfil, histórico de cotas, entre outros.
O mercado
financeiro já está mais atento a essa necessidade. E muitos canais de
investimentos, como corretoras de valores e bancos, já criaram formas para que
os clientes tenham acesso à informação.
Além disso, é
possível encontrar informações na internet, publicações e cursos de educação
financeira que mostram os novos caminhos para quem deseja alcançar maior
rentabilidade, diversificar seus investimentos e também para aqueles que
desejam entender mais de finanças pessoais.
As ferramentas
estão disponíveis para todos. Basta apenas criarmos o hábito de buscarmos
informações confiáveis dos investimentos e optarmos por aquele que atenda
melhor nossos interesses.
Mauro Calil
Palestrante, educador financeiro e autor dos livros “Separe Uma Verba Para Ser Feliz” e “A Receita do Bolo” – www.academiadodinheiro.com.br
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