quinta-feira, 21 de março de 2013

O mico da caderneta de poupança - Por Mauro Calil














Historicamente, a caderneta de poupança sempre foi a escolha preferida pelos brasileiros para investimento. Os principais atrativos e argumentos sempre foram a segurança oferecida pelo sistema bancário e isenção de Imposto de Renda. No passado, com as taxas de juros altíssimas, a aplicação ainda era sinônimo de rentabilidade. Assim, segurança, rentabilidade isenta de imposto e a facilidade de fazer depósitos e saques a qualquer momento, tornaram a caderneta de poupança um ‘prato cheio’ para os poupadores. 

 Hoje, a redução das taxas de juros, novas regras para a rentabilidade dessa aplicação e inflação fazem da caderneta de poupança um grande ‘mico’ de rentabilidade.

Para comprovar isso, basta olhar para a rentabilidade da poupança em 2012. No ano, a rentabilidade nominal da aplicação foi de 6,47%. Já o IPCA (índice que mede a inflação oficial do país) ficou em 5,84%. Assim, rentabilidade nominal menos inflação significa uma rentabilidade real da poupança em torno de 0,6% em 2012. Ou seja, quem aplicou R$ 100,00 em primeiro de janeiro teria o poder de compra de R$ 100,60 em 31 de dezembro, praticamente nada.

Apesar disso, as pessoas, de forma geral, continuam colocando seus recursos na caderneta de poupança. É o que mostra levantamento feito pelo Banco Central, segundo o qual os depósitos realizados em janeiro de 2013 superaram os saques em R$ 2,3 bilhões, considerado o melhor resultado para o período desde 2010. O saldo final da aplicação também superou a marca de R$ 500 bilhões.

Há um lado positivo nesses dados: muitos conseguiram se organizar financeiramente, pagar as dívidas e ainda guardar dinheiro, além desses recursos fortalecerem o sistema de habitação brasileiro. Entretanto, muitos poupadores ainda desconhecem que a poupança atualmente tem um rendimento inexpressivo e que há outras opções no mercado financeiro que oferecem rentabilidade um pouco maior - talvez nem todas com isenção de Imposto de Renda ou de oscilação, mas de extrema importância para compor uma carteira de investimentos.

Como exemplo dos produtos disponíveis, temos, na renda fixa, títulos públicos, debêntures, CDBs, LCIs, LCAs e CRIs. Já a renda variável dispõe de ações, fundos de ações, fundos multimercados, fundos de investimentos imobiliários commodities e os derivativos negociados em Bolsa de Valores. Opção não falta.
Mas se há variedade de produtos financeiros, porque a poupança ainda é a preferida? Por pura falta de conhecimento. Para investir nesses produtos, é preciso conhecer um pouco mais sobre eles, como as taxas praticadas pelos agentes financeiros, prazos, análises de perfil, histórico de cotas, entre outros.

O mercado financeiro já está mais atento a essa necessidade. E muitos canais de investimentos, como corretoras de valores e bancos, já criaram formas para que os clientes tenham acesso à informação.

Além disso, é possível encontrar informações na internet, publicações e cursos de educação financeira que mostram os novos caminhos para quem deseja alcançar maior rentabilidade, diversificar seus investimentos e também para aqueles que desejam entender mais de finanças pessoais.
As ferramentas estão disponíveis para todos. Basta apenas criarmos o hábito de buscarmos informações confiáveis dos investimentos e optarmos por aquele que atenda melhor nossos interesses.


Mauro Calil 
Palestrante, educador financeiro e autor dos livros “Separe Uma Verba Para Ser Feliz” e “A Receita do Bolo” – www.academiadodinheiro.com.br

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