segunda-feira, 18 de março de 2013

O adolescente, sua identidade e as questões financeiras - por Bernadette Vilhena



Os anos passam depressa e quando percebemos nossas crianças já estão na adolescência. Essa fase, igualmente a infância, é rica em aprendizados e pode ser vivida com leveza quando bem acompanhada pelos pais ou responsáveis. É comum ouvirmos reclamações sobre a mudança de comportamento dos jovens nessa faixa etária, mas será que estamos preparados para sermos o porto seguro que eles precisam?
As transformações que estarão acontecendo com eles fazem parte do processo de amadurecimento e as questões ligadas ao dinheiro costumam ficar evidentes nessa fase. A construção da identidade desse jovem também passa pelo financeiro. Caso a família não teve o hábito de conversar sobre finanças desde a infância, os questionamentos sem dúvida virão mais fortes nessa fase, principalmente decorrentes da comparação com os amigos, da necessidade que muitos jovens têm de consumir para serem aceitos pela turma e do estímulo ao consumismo... 

Esses questionamentos precisam ser tratados com muita atenção, doçura e firmeza pelos adultos. Um ponto fundamental é o resgate de valores essências ao bem-estar do ser humano como o amor, a partilha, a espiritualidade, a responsabilidade, a dignidade, a alegria sem artifícios! Precisamos trabalhar a autoestima do adolescente, levá-los ao reconhecimento de suas potencialidades e ajudá-los nas descobertas essências do Ser. Como cada indivíduo é singular e possuem motivações diferentes, o caminho para sensibilizar esse jovem virá do diálogo e da busca pelo que faz sentido para ele.

É importante saber que o perigo está na cultura ao ter. O consumo excessivo de tudo tem assumido um lugar de destaque nas relações sociais entre os jovens e isso é perigoso para a consolidação de valores imprescindíveis na fase adulta. O pesquisador da UFMG Paulo César Pinho Ribeiro afirma que “há um consumo exagerado de tudo: dinheiro, imagem, roupas, perfumes, adornos, grifes, amor, sexo, bens de consumo e substâncias lícitas e ilícitas. O planeta em que vivemos está em crise: de um lado, consumismo exagerado e avanços tecnológicos que nos surpreendem a cada dia; de outro, fome, miséria e desigualdade. Um mundo onde o ter é mais importante do que o ser. Neste mundo consumista, os adolescentes foram escolhidos como o alvo mais fácil dessa escalada sem rumo, sendo hoje chamados de filhos do consumismo.”

Essas incômodas questões precisam ser trazidas á tona para que todos nós, pais ou não, possamos refletir sobre nossas condutas frente a uma sociedade capitalista. Precisamos de atenção para não cair na armadilha: funcionar no automático e achar que tudo isso é normal, moderno...
Abraço e até o próximo encontro,

Bernadette Vilhena                                                                   
 www.vilhenapedagogiaempresarial.blogspot.com

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