A
recente estabilidade da economia brasileira e a melhora nos índices de
desemprego do País são alguns dos fatores que deixaram o crédito no País muito
mais fácil. Consequentemente, os brasileiros consomem mais e também fazem mais
empréstimos. E um tipo de empréstimo que se destaca pela agilidade e facilidade
de se ter dinheiro no bolso é o crédito pessoal, feito por empresas
financeiras.
Para
conquistar tantos clientes, as financeiras usam argumentos fortes e atuam
diretamente no emocional das pessoas, na fragilidade da falta de dinheiro, da
vergonha de pedir emprestado para parentes e na pressa para conseguir estes
recursos.
Via
de regra, a comunicação destas empresas diz: dinheiro na hora, sem burocracia e
sem consulta ao Serviço de Proteção ao Crédito. Ou seja, dinheiro fácil. Só que
dinheiro fácil, na minha opinião, é sinônimo também de crédito caro.
Em
uma rápida pesquisa ao site do Banco Central, é possível comprovar o que estou
dizendo, basta dar uma olhada nas taxas de juros cobradas em operações de
crédito pessoal. Os juros podem chegar a 17% ao mês e a mais de 500% ao ano.
Outro detalhe: saber as taxas cobradas por essas empresas nem sempre é fácil.
Muitos sites, por exemplo, não são claros e não entregam esta informação
facilmente.
Assim,
a venda do produto (o empréstimo) é baseada no valor das parcelas e na
renegociação, ou seja, se a dívida é de R$ 10 mil, pague-a no ato e pague à
financeira pequenas parcelas por mês. Funciona na base do ‘cabe no bolso’ e não
em quanto é o valor da dívida. E, no final, é comum ter 60%, 80%, 100% ou mais de
juros ao ano nas parcelas pequenas.
Com
base em dados, em fatos, digo que recorrer ao empréstimo pessoal por meio de
financeiras deve ser a última alternativa ao endividado. É quase o último passo
antes de ir a um agiota. Usa os serviços de
financeiras quem não tem mais crédito com ninguém, nem com parentes ou amigos.
Os juros, muito altos, ficam entre o cartão de crédito e os do cheque especial. Por isso, antes de seguir este caminho, minha sugestão é vender bens, como carro, casa, eletrodomésticos etc, ou também tentar sanar as dívidas já assumidas em outras linhas de crédito, mais baratas, para retomar as rédeas da vida financeira.
Enfim,
antes de recorrer ao crédito pessoal por meio de financeiras, seja para
adquirir um bem, para pagar outra dívida ou qualquer outra finalidade, avalie
se este é o melhor caminho. A pressa somada à cultura do ‘quanto posso pagar
por mês’ tornam o dinheiro muito caro e quem sai perdendo é justamente quem
acha que está ganhando.
Mauro Calil
Palestrante,
educador financeiro, fundador da Academia do Dinheiro, e autor dos livros
“Separe uma verba para ser feliz” e “A receita do bolo”. www.calilecalil.com.br

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