Aprendemos
desde muito cedo um ditado que diz que “é melhor ser pobre e ter saúde do que
ser rico sem saúde”. Contradizendo o que diz este velho ditado, a pobreza não é
a garantia de ter uma vida saudável e, tão pouco, a riqueza é a sentença para
uma vida desperdiçada em enfermarias ou condenada a mazelas biológicas.
Esta
frase nada mais é que um consolo, uma compensação para quem continuamente se
frustra por não conseguir alcançar a realização de seus sonhos. O mais cruel
nisto tudo é que recebemos este consolo das pessoas que mais nos amam e têm
responsabilidade sobre nossa formação, nossos pais, avós, educadores etc. Eles
não nos dizem isso por maldade, mas, sim, por já saberem que a vida impõe
limites e que muitas vezes devemos nos acalmar frente às dificuldades, pois,
somente com calma conseguiremos superar os revezes e os limites que nos são
impostos.
Frases
como esta eu prefiro designar de crenças limitadoras. Uma crença limitante pode
atuar em toda nossa vida, atrasando seu curso contra nosso desejo e, ao invés
de servir como um calmante ou um consolo, servirão para aumentar nossas
frustrações, atuando contra nossos desejos, promovendo uma autossabotagem, pois
passamos a incorporar a crença em nosso conjunto de valores, em nossas verdades
conscientes ou não.
Veja
como funciona: se te ofereço duas alternativas, a primeira é ter saúde, mas ser
pobre, e a outra, ter dinheiro, mas viver internado. Qual você escolheria?
Obviamente sabemos que o dinheiro compra o atendimento médico de qualidade, mas
não a saúde, e sabemos também que com saúde o pobre poderá viver muito mais
plenamente que o rico em um leito de hospital, portanto a vida do pobre
saudável é melhor que a do rico enfermo. A escolha é fácil.
No
entanto, a vida não tem somente duas alternativas como sugere a crença
limitadora. A vida tem tantas alternativas quantas sua mente quiser produzir. E
eu sugiro que, dentre muitas opções, você escolha a alternativa que a crença
limitadora e seus criadores querem ocultar. Neste caso, ser rico e saudável.
Ou
seja, não é melhor ser pobre com saúde, esta situação é somente menos ruim. O
melhor, de fato, é ser muito rico com muita saúde e existem alternativas ainda
melhores que esta.
Muitas
outras crenças limitantes sobre a formação de patrimônio volumoso e acúmulo de
dinheiro e riqueza existem desde sempre e dia a dia variações do tema são
reinventados. Frases como o sujeito é “podre de rico” reforçam a união do ruim
(podre) com a riqueza material. Quem quer ser podre?
Uma
das crenças limitadoras que julgo das mais hilariantes é “dita” pelos adesivos
de carros: “é velho, mas está pago”. Obviamente que é melhor ter um carro pago,
que te leve e traga dos diferentes destinos, do que um carro luxuoso, que deixe
seu dono atolado em dívidas - perceba aí a semelhança do pobre com saúde. Ora,
o melhor mesmo é ter carro zero quilômetro e sem dívidas.
Não
se limite acreditando que acumulação de patrimônio não é riqueza. O equilíbrio
reside nos diversos níveis patrimoniais e principalmente em você e em seu
caráter firme e personalidade segura de si. Receber salário mínimo e ter
equilíbrio financeiro é louvável, mas isso não te livrará dos limites apertados
da falta de renda. O melhor mesmo é ter renda de R$ 50 mil, R$ 100 mil (ou
quanto você sonhar) e não ter aperto algum na vida.
Mauro Calil
Palestrante, educador
financeiro e autor dos livros “Separe Uma Verba Para Ser Feliz” e “A Receita do
Bolo” – www.academiadodinheiro.com.br

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