sexta-feira, 3 de maio de 2013

Valores e dinheiro – Crenças limitadoras - Por Mauro Calil



Aprendemos desde muito cedo um ditado que diz que “é melhor ser pobre e ter saúde do que ser rico sem saúde”. Contradizendo o que diz este velho ditado, a pobreza não é a garantia de ter uma vida saudável e, tão pouco, a riqueza é a sentença para uma vida desperdiçada em enfermarias ou condenada a mazelas biológicas.

Esta frase nada mais é que um consolo, uma compensação para quem continuamente se frustra por não conseguir alcançar a realização de seus sonhos. O mais cruel nisto tudo é que recebemos este consolo das pessoas que mais nos amam e têm responsabilidade sobre nossa formação, nossos pais, avós, educadores etc. Eles não nos dizem isso por maldade, mas, sim, por já saberem que a vida impõe limites e que muitas vezes devemos nos acalmar frente às dificuldades, pois, somente com calma conseguiremos superar os revezes e os limites que nos são impostos.

Frases como esta eu prefiro designar de crenças limitadoras. Uma crença limitante pode atuar em toda nossa vida, atrasando seu curso contra nosso desejo e, ao invés de servir como um calmante ou um consolo, servirão para aumentar nossas frustrações, atuando contra nossos desejos, promovendo uma autossabotagem, pois passamos a incorporar a crença em nosso conjunto de valores, em nossas verdades conscientes ou não.

Veja como funciona: se te ofereço duas alternativas, a primeira é ter saúde, mas ser pobre, e a outra, ter dinheiro, mas viver internado. Qual você escolheria? Obviamente sabemos que o dinheiro compra o atendimento médico de qualidade, mas não a saúde, e sabemos também que com saúde o pobre poderá viver muito mais plenamente que o rico em um leito de hospital, portanto a vida do pobre saudável é melhor que a do rico enfermo. A escolha é fácil.

No entanto, a vida não tem somente duas alternativas como sugere a crença limitadora. A vida tem tantas alternativas quantas sua mente quiser produzir. E eu sugiro que, dentre muitas opções, você escolha a alternativa que a crença limitadora e seus criadores querem ocultar. Neste caso, ser rico e saudável.
                                                    
Ou seja, não é melhor ser pobre com saúde, esta situação é somente menos ruim. O melhor, de fato, é ser muito rico com muita saúde e existem alternativas ainda melhores que esta.

Muitas outras crenças limitantes sobre a formação de patrimônio volumoso e acúmulo de dinheiro e riqueza existem desde sempre e dia a dia variações do tema são reinventados. Frases como o sujeito é “podre de rico” reforçam a união do ruim (podre) com a riqueza material. Quem quer ser podre?

Uma das crenças limitadoras que julgo das mais hilariantes é “dita” pelos adesivos de carros: “é velho, mas está pago”. Obviamente que é melhor ter um carro pago, que te leve e traga dos diferentes destinos, do que um carro luxuoso, que deixe seu dono atolado em dívidas - perceba aí a semelhança do pobre com saúde. Ora, o melhor mesmo é ter carro zero quilômetro e sem dívidas.

Não se limite acreditando que acumulação de patrimônio não é riqueza. O equilíbrio reside nos diversos níveis patrimoniais e principalmente em você e em seu caráter firme e personalidade segura de si. Receber salário mínimo e ter equilíbrio financeiro é louvável, mas isso não te livrará dos limites apertados da falta de renda. O melhor mesmo é ter renda de R$ 50 mil, R$ 100 mil (ou quanto você sonhar) e não ter aperto algum na vida.

Mauro Calil
Palestrante, educador financeiro e autor dos livros “Separe Uma Verba Para Ser Feliz” e “A Receita do Bolo” – www.academiadodinheiro.com.br




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