Costumo
dizer que o planejamento é apenas uma das muitas facetas da educação financeira
e que, sem dúvida, deve começar em casa, com os pais ensinando aos filhos. A
criança deve ser educada para que saiba lidar com o dinheiro que tiver ao seu
alcance desde sempre, sem falar a importante lição de que dinheiro não nasce
espontaneamente na carteira de ninguém.
Saber
lidar com o dinheiro é uma habilidade essencial que usamos em todos os momentos
da vida, pessoal e profissional. Por isso, trata-se de um tema que deve ser
ensinado para as crianças, principalmente para saberem que, na vida adulta,
estarão inseridos em um mundo regido pelo dinheiro.
Infelizmente,
as escolas não ensinam a forma correta de como lidar com dinheiro, tão pouco os
pais – salvo algumas exceções. Da mesma forma, são poucos os cursos superiores
que o fazem. Apenas os cursos de Administração de Empresas, Contabilidade e
Economia ensinam sobre o funcionamento e a importância das finanças. Tenho
certeza que todo mundo conhece alguém incrivelmente bem sucedido e inteligente
que tem dificuldade de lidar com dinheiro exatamente por não ter aprendido em
casa, na escola ou mesmo na graduação.
Essa
falta de informações sobre como lidar com o dinheiro é evidenciada a cada dia,
principalmente se observarmos o crescente número de jovens endividados. Assim,
desenvolver a habilidade necessária para lidar com o dinheiro em casa pode ser
a única oportunidade que seu filho vai ter de aprender sobre o assunto por um
bom tempo.
Mas
como ensinar uma criança se os próprios pais não conhecem sobre o assunto? A
resposta para esta pergunta é a informação. E o que não falta no mercado são
livros, cursos, reportagens, entre outros, sobre como cuidar do dinheiro. E não
é nada difícil. Um conselho básico para quem quer evitar os problemas com as
finanças é usar um caderno ou uma planilha eletrônica para anotar as receitas e
cada gasto, por menor que seja.
Para
ensinar as crianças, talvez o melhor seja começar com uma brincadeira com
moedas. Mostre que, quanto mais moedas, mais o cofrinho fica pesado. No caso de
crianças em fase de alfabetização, ensine-as a reconhecer as notas pelos
números e letras. E quando já tiverem aprendido as operações matemáticas
básicas, pode-se introduzir a mesada. Já os jovens devem ser incentivados a
anotar os gastos, com lanches e condução, por exemplo, em um caderno ou agenda.
É
importante lembrar que, no caso da mesada, deve-se ensinar os jovens que aquele
dinheiro deve satisfazer suas necessidades e vontades, como o lanche da escola
ou a compra de algum item de desejo, e que estes recursos são para o mês
inteiro. Os pais não podem dar uma mesada e, se o dinheiro acabar antes do
final do mês, dar mais. Nesse caso, os pais têm mais uma oportunidade de dar
ensinamento, inclusive utilizando da criatividade. O dinheiro acabou e não dá
para comprar lanche na escola? Leve o lanche de casa.
Vale
também aconselhar a criança a guardar um pouco da mesada para comprar aquele
brinquedo que ele tanto quer. Assim, os pais estarão ensinando que a
responsabilidade de conseguir ou não o que se quer é toda dele.
Dar
bons exemplos aos filhos também faz parte da educação financeira. Lembre-se que
ele se espelha em você. São pequenos detalhes como estes que podem fazer toda a
diferença.
Mauro Calil
Palestrante,
educador financeiro, fundador da Academia do Dinheiro, e autor dos livros
“Separe uma verba para ser feliz” e “A receita do bolo”. www.calilecalil.com.br

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