Segundo
um relatório emitido pela instituição financeira Bank of America Merril Lynch o
mercado da “vaidade” não para de crescer no mundo. Os gastos com produtos e
serviços destinados a melhorar a autoestima, aparência e popularidade dos
consumidores ultrapassa os US$4,5 trilhões de dólares. Isso é maior que PIB da
Alemanha que é atualmente a quarta maior economia do mundo. Um mercado que
cresce em média 20% ao ano e que tem projeção de expandir mais 37% nos próximos
dois anos. A pesquisa abrange além de gastos com cosméticos sendo que, somente
o ano passado o Brasil teve um crescimento de 11% com um faturamento de R$101,7
bilhões segundo a Associação Brasileira de Higiene Pessoal, Perfumaria e
Cosméticos (ABIHPEC), soma-se também o mercado de alto luxo que inclui os carros
mais cobiçados do planeta (US$ 351 bilhões), hospedagens em hotéis de alto
padrão (US$ 150 bilhões), imóveis de luxo e mansões (US$ 150 bilhões), jatos
particulares (US$ 19 bilhões), cruzeiros e iates (US$ 8 bilhões).
Com
o advento das redes sociais o mercado da vaidade somente adicionou um
combustível extra já que as pessoas já não querem mais ser e sim ter, as vezes
a qualquer custo, para que possam aparecer, compartilhar criando o que
conhecemos como status pelatus: “ que é comprar coisas que não
precisa com o dinheiro que não tem para, em muitos casos, apenas impressionar
as pessoas que não gosta”, ou seja, estamos cada vez mais consumistas e
alguns até compulsivos como aqueles que trocam de aparelho celular a cada seis
meses. Não é à toa que o Brasil é um dos países com uma das mais baixas taxas
de poupança do mundo que significa que apenas 14% da renda nacional deixa de
ser consumida pelas famílias e pelo governo enquanto que na China essa poupança
chega a mais de 42%. Sem contar também, que aquela história que enquanto um
brasileiro dorme existe outros três chineses estudando é a mais pura verdade
segundo um amigo que fez um MBA por lá e que me relatou que há uma grande
possibilidade de se trancar uma biblioteca pública após o expediente e ainda
assim encontrar estudantes escondidos e fervorosos em quererem continuar por lá,
talvez para ainda aumentar não somente seu capital intelectual atual mas também
seu capital financeiro futuro já que se prepararam melhor, conseguindo melhores
remunerações e por isso se espalham pelo mundo buscando ou levando conhecimento
em setores como engenharia, construção civil, tecnologia da informação,
medicina, etc., etc., formando inclusive milhares de novos cientistas a cada
ano.
Tudo
isso para dizer que enquanto muitos procuram ter e aparecer com o objetivo de
serem curtidos até por irem no banheiro existem outros que estão dispostos a
serem e de fazerem a diferença em suas vidas e para a sociedade. São aquelas
que entendem que para cada escolha existe uma renúncia e que, apesar de ser
difícil para nós latinos separarmos o lado emocional do racional,
principalmente quando o assunto é dinheiro, o Planejamento Financeiro é tão
importante quanto o ar que respiramos. Portanto, viver somente o vaidoso presente
e não pensar no futuro pode enquadrá-lo, se já não o enquadrou, nas
estatísticas que mostram um aumento de mais 56 milhões de negativados até Maio sendo
muitos deles, com certeza, motivados por um dos sete pecados capitais que é a
vaidade e pela compulsividade.
Para
resumir esse artigo encontrei uma frase do glorioso desenhista e escritor
Millôr Fernandes que expressa perfeitamente esse aspecto compulsivo do ser
humano:
“O
homem é um animal que adora tanto as novidades que se o rádio fosse inventado
depois da televisão haveria uma correria a esse maravilhoso aparelho
completamente sem imagem”
Rogério Nakata é Planejador Financeiro
Certificado pelo IBCF - Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais
Financeiros, Embaixador CFP® para o Vale do Paraíba, Agente Autônomo de
Investimentos pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e Palestrante sobre os
temas Educação Financeira e Planejamento Financeiro de grandes organizações
(www.economiacomportamental.com.br)

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