quinta-feira, 18 de junho de 2015

Ser ou ter eis a questão? Por Rogério Nakata




Segundo um relatório emitido pela instituição financeira Bank of America Merril Lynch o mercado da “vaidade” não para de crescer no mundo. Os gastos com produtos e serviços destinados a melhorar a autoestima, aparência e popularidade dos consumidores ultrapassa os US$4,5 trilhões de dólares. Isso é maior que PIB da Alemanha que é atualmente a quarta maior economia do mundo. Um mercado que cresce em média 20% ao ano e que tem projeção de expandir mais 37% nos próximos dois anos. A pesquisa abrange além de gastos com cosméticos sendo que, somente o ano passado o Brasil teve um crescimento de 11% com um faturamento de R$101,7 bilhões segundo a Associação Brasileira de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), soma-se também o mercado de alto luxo que inclui os carros mais cobiçados do planeta (US$ 351 bilhões), hospedagens em hotéis de alto padrão (US$ 150 bilhões), imóveis de luxo e mansões (US$ 150 bilhões), jatos particulares (US$ 19 bilhões), cruzeiros e iates (US$ 8 bilhões).

Com o advento das redes sociais o mercado da vaidade somente adicionou um combustível extra já que as pessoas já não querem mais ser e sim ter, as vezes a qualquer custo, para que possam aparecer, compartilhar criando o que conhecemos como status pelatus: “ que é comprar coisas que não precisa com o dinheiro que não tem para, em muitos casos, apenas impressionar as pessoas que não gosta”, ou seja, estamos cada vez mais consumistas e alguns até compulsivos como aqueles que trocam de aparelho celular a cada seis meses. Não é à toa que o Brasil é um dos países com uma das mais baixas taxas de poupança do mundo que significa que apenas 14% da renda nacional deixa de ser consumida pelas famílias e pelo governo enquanto que na China essa poupança chega a mais de 42%. Sem contar também, que aquela história que enquanto um brasileiro dorme existe outros três chineses estudando é a mais pura verdade segundo um amigo que fez um MBA por lá e que me relatou que há uma grande possibilidade de se trancar uma biblioteca pública após o expediente e ainda assim encontrar estudantes escondidos e fervorosos em quererem continuar por lá, talvez para ainda aumentar não somente seu capital intelectual atual mas também seu capital financeiro futuro já que se prepararam melhor, conseguindo melhores remunerações e por isso se espalham pelo mundo buscando ou levando conhecimento em setores como engenharia, construção civil, tecnologia da informação, medicina, etc., etc., formando inclusive milhares de novos cientistas a cada ano.

Tudo isso para dizer que enquanto muitos procuram ter e aparecer com o objetivo de serem curtidos até por irem no banheiro existem outros que estão dispostos a serem e de fazerem a diferença em suas vidas e para a sociedade. São aquelas que entendem que para cada escolha existe uma renúncia e que, apesar de ser difícil para nós latinos separarmos o lado emocional do racional, principalmente quando o assunto é dinheiro, o Planejamento Financeiro é tão importante quanto o ar que respiramos. Portanto, viver somente o vaidoso presente e não pensar no futuro pode enquadrá-lo, se já não o enquadrou, nas estatísticas que mostram um aumento de mais 56 milhões de negativados até Maio sendo muitos deles, com certeza, motivados por um dos sete pecados capitais que é a vaidade e pela compulsividade.

Para resumir esse artigo encontrei uma frase do glorioso desenhista e escritor Millôr Fernandes que expressa perfeitamente esse aspecto compulsivo do ser humano:


“O homem é um animal que adora tanto as novidades que se o rádio fosse inventado depois da televisão haveria uma correria a esse maravilhoso aparelho completamente sem imagem”

Rogério Nakata é Planejador Financeiro Certificado pelo IBCF - Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros, Embaixador CFP® para o Vale do Paraíba, Agente Autônomo de Investimentos pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e Palestrante sobre os temas Educação Financeira e Planejamento Financeiro de grandes organizações (www.economiacomportamental.com.br)

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