segunda-feira, 24 de agosto de 2015
















FGC – O que é e para que serve?* - Por Mauro Calil











Em agosto de 1995, através da Resolução 2.197, de 31/08/95, o CMN (Conselho Monetário Nacional) autorizou a “constituição de entidade privada, sem fins lucrativos, destinada a administrar mecanismos de proteção a titulares de créditos contra instituições financeiras”. Foi assim que surgiu o FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

A mesma resolução determinou, no parágrafo primeiro de seu primeiro artigo, que “as instituições financeiras que recebessem depósitos à vista, à prazo e em contas de poupança, bem como as associações de poupança e empréstimo, se tornariam associadas da entidade e dela participariam como contribuintes.”

Assim sendo, todas as instituições financeiras que oferecem aplicações financeiras como caderneta de poupança, CDB, RDB, LCI, LCA, LC, LH, entre outros, são obrigadas a participar e contribuir com o fundo de reserva do FGC.

Hoje os ativos da instituição estão na ordem de 40 bilhões de reais. Todo esse dinheiro, devidamente aplicado de forma segura, é destinado a garantir o depósito e a estabilidade do sistema financeiro, formando uma rede de proteção ao próprio sistema e aos investidores, de forma sólida e saudável.
Quem teve que acessar essa rede de proteção pôde constatar a agilidade do processo de ressarcimento. Com toda a documentação do investidor em ordem junto à instituição, o dinheiro pode ser ressarcido em até 90 dias. Nada mal para casos de quebra de uma instituição financeira.
O patrimônio do FGC aumenta dia a dia por conta das contribuições obrigatórias. Isso permite ao investidor multiplicar sua proteção ao dispor da garantia de 250 mil reais por CPF, CNPJ e por conglomerado financeiro.

Ou seja, quando você investe em um único conglomerado financeiro, mesmo que sejam produtos e/ou emissores diferentes – por exemplo, CDB e caderneta de poupança do banco Y, mais a LC da financeira controlada pelo mesmo banco Y – sua garantia total será de 250 mil reais.
Assim, para multiplicar essa garantia do cliente, o mesmo deve procurar outras instituições menores ou médias, que distribuam aplicações financeiras de conglomerados diferentes. Por exemplo, o banco de investimentos X distribui seu próprio CDB, mais a LC de uma financeira independente e a LCI de uma companhia hipotecária. Nesse caso, com uma única conta, a garantia do cliente subiria para 750 mil reais.

Esta multiplicação de garantia, que planejo para meus clientes todos os dias, permite que o investidor consiga taxas de remuneração em renda fixa da ordem de 1% ao mês, líquido de IR, ou ainda maior. Essa diferença no valor da remuneração do dinheiro pode representar ter o IPVA, o seguro do automóvel ou muitas outras contas pagas por esse ganho adicional do suor do trabalho de seu dinheiro.

O FGC já é uma instituição estabelecida e primordial à nossa economia. E já se provou eficiente e ágil ao proporcionar tranquilidade aos investidores. Casos recentes como os dos bancos Santos, Rural, Banorte, BVA, entre outros, comprovam sua eficiência.
Em minha opinião, o FGC garante segurança de aplicações mais rentáveis, funcionando como uma máquina de redundância ao sistema: se o mainframe tiver problemas, acionamos o plano B. Sem dúvida alguma, o FGC é duplamente benéfico: primeiro, por proporcionar ao cliente a possibilidade de diversificação, sem comprometer a segurança nos investimentos. E, em seguida, garantir que as taxas superiores de remuneração possam ser aproveitadas pelo cliente com toda segurança até o limite estabelecido.


*Mauro Calil é  especialista em investimentos no Banco Ourinvest. É também palestrante , autor dos livros  “Receita do bolo” e “Separe uma verba para ser feliz”  além de proprietário da Academia do Dinheiro, instituição especializada em cursos de educação financeira e finanças. Possui mestrado pela USP e Pós Graduação em Marketing pela ESPM e certificado pela ANBIMA como CEA.


sexta-feira, 24 de julho de 2015

terça-feira, 21 de julho de 2015

Inteligente ou sábio? - Por Rogério Nakata


A Grécia com seus 12 milhões de habitantes já foi reconhecida um dos países mais prósperos e com um dos maiores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do mundo.  Com uma cultura milenar e com importantes pensadores como Aristóteles, Sócrates, Platão dentre outros, possui uma natureza exuberante com mais de 1.400 ilhas e com uma das culinárias mais ricas e saudáveis do planeta atualmente vive, infelizmente, uma verdadeira tragédia grega provocada pela alta dívida pública. Um país que está em risco de não fazer mais parte do maior bloco financeiro europeu conhecido como União Europeia cuja moeda comum a esses 30 países é o Euro que está atualmente em comparação ao real valorizado em mais de 3,5 vezes. 

Para fazer parte da Zona do Euro os países necessitam cumprir uma série de requisitos para participar desse importante bloco econômico sendo que um deles é que os integrantes não devem ultrapassar um déficit de 3% do PIB do país sendo que a Grécia possui um rombo orçamentário de mais de 60% que, por si só, representa o limite estabelecido para os países que compõem a comunidade.

Mas como um país com tanta cultura e sabedoria pode chegar a decretar moratória a seus credores? 

Isso nada mais foi que o resultado de políticas econômicas equivocadas que resultaram num déficit de 320 bilhões de euros (equivalente a mais de R$ 1 trilhão), ou seja, o país gastou bem mais do que arrecadou e tomou mais dinheiro emprestado do que sua capacidade de honrar com seus compromissos financeiros. Nessa conta estão os pesados empréstimos realizados junto ao FMI que cresceram ao longo dos anos desde a crise de 2009, além da baixa arrecadação de impostos, evasão fiscal, corrupção, altos gastos com funcionalismo público, cujo os salários com essa classe praticamente dobraram, somado os altos benefícios pagos aos aposentados precoces. 

Enfim, será que estamos seguindo o mesmo caminho? Poderemos um dia chegar a ser uma Grécia? Na minha opinião precisamos muito mais do que controlar as contas públicas nesse instante é controlar nossas próprias contas e finanças pessoais pois enquanto o governo incentivava há 6 anos atrás o consumo desenfreado da população liberando o crédito fácil e farto à milhares de famílias que se esbaldaram e se lambuzaram durante todo esse período, muitas delas agora estão endividadas e inadimplentes. Em nenhum momento foi ensinado à essas pessoas como os produtos e serviços financeiros funcionavam e diante disso os números demonstram que o índice de comprometimento de dívidas com bancos já ultrapassa mais de 45% segundo dados do Banco Central. E isso pode ser apenas o começo pois, com o crescimento do desemprego, diminuição da renda, alta da inflação e aumento das taxas de juros esses números só tendem a expandir mês após mês.

Dentre os efeitos que a tragédia grega pode trazer para o Brasil estão a diminuição dos investimentos dos europeus nos países emergentes incluindo o nosso, queda nas exportações para a Europa e o aumento do dólar pois, em situações de crise como esta onde há o risco da Grécia deixar a Zona do Euro as portas se abrem para que outros países do bloco sigam o mesmo caminho retornando às suas antigas moedas e colocando em dúvida o futuro do Euro como moeda única, fortalecendo por sua vez moeda americana.

Portanto, nesse momento de crise vale uma reflexão que poderia até ser oriunda do pensamento de um grande filósofo grego que diz que: "Inteligente é aquele que aprende com seus próprios erros e sábio é aquele que aprende com os erros dos outros".  A questão que fica é: Será que estamos sendo sábios e aprendendo de fato com os erros dos outros ou será que nos encontramos atualmente em uma zona de conforto? Isso é apenas mais uma marola ou estamos prestes a presenciar um grande tsunami? Será que em caso de crise financeira pessoal poderei contar com alguma ajuda de algum órgão internacional como o FMI (Fundo Monetário Internacional)?


Então, podemos concluir que para ser próspero nos dias de hoje devemos confiar mais em nossa capacidade de fazer a diferença na nossa vida e de nossa família e menos nas instituições que deveriam, mas, na sua grande maioria, não atendem prontamente as expectativas de seus cidadãos como fazem com o recolhimento eficiente dos pesados impostos a nós impostos.

Rogério Nakata é Planejador Financeiro Certificado pelo IBCF - Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros, Embaixador CFP® para o Vale do Paraíba, Agente Autônomo de Investimentos pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e Palestrante sobre os temas Educação Financeira e Planejamento Financeiro de grandes organizações (www.economiacomportamental.com.br)

Perdeu nas Ações? Recupere na renda fixa - Por Mauro Calil*




O investimento em ações têm sido amargo para aqueles que se entusiasmaram porém, não acompanharam mais atentamente as notícias e relatórios sobre as empresas, principalmente no passado recente.
Aqui não falo de uma ação específica, tão pouco do investidor que montou sua carteira de bluechips na década de 1970. Falo sim àqueles que entraram neste investimento acompanhando a onda do investment grade, ou os fóruns gráficos que, via de regra, propagam as grandes tacadas vencedoras mas, nunca (ou raramente) os movimentos perdedores.
Como diz o ditado, ‘para baixo todo santo ajuda’. Perder 5, 10 ou 30% sempre será mais fácil que ganhar os mesmos percentuais sobre o valor investido.
Se você perdeu e pensa algo do tipo “agora vou esperar a recuperação”, Te digo que pode estar com sorte pois, você pode acelerar a recuperação sem especular ou arriscar ainda mais. Como? Basta usar a renda fixa turbinada para isto.
Antes vejamos que ao perdermos 10% em um investimento não basta ganhar os mesmos 10% sobre a nova quantia para voltarmos ao valor inicial, ou seja, você investiu 1.000,00 e perdeu 10%, terá 900,00. Para voltar aos 1.000,00 iniciais seus 900,00 terão que render 11,111…% pois, se rendessem 10% chegaria somente a 990,00.
Fica mais claro quando a perda é ainda maior. Investiu 1.000,00 e perdeu 50% , está agora com 500,00. Portanto, para retornar aos 1.000,00 iniciais, terá que obter 100% de rentabilidade. Ou seja, subir a ladeira exige planejamento, técnica e tempo. Mas com certeza você chegará lá.

Por isso, preparei a tabela abaixo com rentabilidades em aplicações em renda fixa, já descontadas de IR, que são muito comuns nos dias de hoje, basta procurar na instituição correta. Todas rentabilidades mencionadas são de produtos financeiros cobertos pelo fundo garantidor de crédito (FGC), portanto com a mesma segurança da caderneta de poupança. 


Repare que a grande mudança é trocar a possibilidade de recuperação pela certeza de que ela ocorra. Por isso contabilize suas perdas em bolsa e, então, se aproveite das boas oportunidades que alta dos juros te proporcionam neste momento da economia.

*O professor Mauro Calil é  especialista em investimentos no Banco Ourinvest.
É também  palestrante e autor dos livros “Receita do bolo” e “Separe uma verba para ser feliz” e proprietário da Academia do Dinheiro, instituição especializada em cursos de educação financeira e finanças.  Possui mestrado pela USP e Pós Graduação em Marketing pela ESPM e certificado pela ANBIMA como CEA.


quinta-feira, 18 de junho de 2015

A estatização do consumo – a grande ameça econômica* - Por Mauro Calil










A sociedade civil brasileira não cansa de alardear que o Brasil tem a carga tributária mais pesada entre os países emergentes e mais alta até que Japão e Estados Unidos. Só fica atrás para o bem estar social europeu, onde o imposto é alto, mas a contrapartida do governo, altíssima. Além de pesada, a tributação no Brasil é também complexa e injusta: ao mirar o consumo, penaliza as faixas de menor renda.

Hoje a carga tributária representa cerca de 35% do PIB, mas nem sempre foi assim. Em 1947, quando teve início o registro sistemático das contas nacionais do Brasil, a carga tributária brasileira era de 13,8% do PIB (IPEA – Texto para discussão 583, Uma análise da carga tributária no Brasil, Rio de Janeiro,1998).

Não quero eu repetir o que todos sabem, que o estado é pesado, ineficiente, incapaz de prover serviços como educação, saúde e segurança, os quais temos que pagar em dobro, pelo público nos impostos e pelo privado que é o que de fato iremos usar e, sobre eles, pagar mais impostos. Quero aqui salientar que os consumidores que, também são cidadãos e eleitores, estão sendo preteridos de sua responsabilidade de consumir e fazer a economia girar.

Sim, mais que um direito esta é uma responsabilidade da sociedade: Consumir.

A relação é direta países pobres têm cidadãos que consomem pouco er governos que consomem muito. Baixa renda ou uma renda altamente comprometida com impostos impedem que o consumo cresça e, nosso governo sabe disto. Tanto é assim que ao surgir a necessidade de manter a economia ativa, baixou-se impostos nos automóveis e eletrodomésticos. Tais medidas fizeram muitos brasileiros tomar empréstimos para comprar estes bens e, como consequência, manter o emprego de outros tantos.

Ao contrário do que se pode pensar, a diminuição dos impostos em nada reduziu a carga tributária sobre o PIB que se mantém em torno de 1/3 por longos anos. Isso ocorre pois o cidadão consome, gera empregos e oportunidades de empreendedorismo e, por consequência, gera arrecadação de impostos sobre tudo isto.

Reduzir impostos é enxergar longe. O contrário é estatizar o consumo e sobrecarregar o estado não só na folha de pagamentos e gastos ineficientes mas, também com a responsabilidade de fazer a economia girar. Isso torna o estado dependente de si mesmo e elimina a independência de seus cidadãos que sempre demandarão mais serviços públicos que necessitarão de mais impostos para se sustentar.

Com este ciclo vicioso estabelecido, só poderá ser quebrado de duas formas. Ou com uma reforma fiscal profunda, algo difícil de ocorrer em qualquer país do mundo, ou com a quebra da economia pela falta de pessoas que produzem e pagam impostos.

*O professor Mauro Calil é  especialista em investimentos no Banco Ourinvest. É também palestrante e autor dos livros “Receita do bolo” e “Separe uma verba para ser feliz” e proprietário da Academia do Dinheiro, instituição especializada em cursos de educação financeira e finanças.  Possui mestrado pela USP e Pós Graduação em Marketing pela ESPM e certificado pela ANBIMA
como CEA.


Ser ou ter eis a questão? Por Rogério Nakata




Segundo um relatório emitido pela instituição financeira Bank of America Merril Lynch o mercado da “vaidade” não para de crescer no mundo. Os gastos com produtos e serviços destinados a melhorar a autoestima, aparência e popularidade dos consumidores ultrapassa os US$4,5 trilhões de dólares. Isso é maior que PIB da Alemanha que é atualmente a quarta maior economia do mundo. Um mercado que cresce em média 20% ao ano e que tem projeção de expandir mais 37% nos próximos dois anos. A pesquisa abrange além de gastos com cosméticos sendo que, somente o ano passado o Brasil teve um crescimento de 11% com um faturamento de R$101,7 bilhões segundo a Associação Brasileira de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), soma-se também o mercado de alto luxo que inclui os carros mais cobiçados do planeta (US$ 351 bilhões), hospedagens em hotéis de alto padrão (US$ 150 bilhões), imóveis de luxo e mansões (US$ 150 bilhões), jatos particulares (US$ 19 bilhões), cruzeiros e iates (US$ 8 bilhões).

Com o advento das redes sociais o mercado da vaidade somente adicionou um combustível extra já que as pessoas já não querem mais ser e sim ter, as vezes a qualquer custo, para que possam aparecer, compartilhar criando o que conhecemos como status pelatus: “ que é comprar coisas que não precisa com o dinheiro que não tem para, em muitos casos, apenas impressionar as pessoas que não gosta”, ou seja, estamos cada vez mais consumistas e alguns até compulsivos como aqueles que trocam de aparelho celular a cada seis meses. Não é à toa que o Brasil é um dos países com uma das mais baixas taxas de poupança do mundo que significa que apenas 14% da renda nacional deixa de ser consumida pelas famílias e pelo governo enquanto que na China essa poupança chega a mais de 42%. Sem contar também, que aquela história que enquanto um brasileiro dorme existe outros três chineses estudando é a mais pura verdade segundo um amigo que fez um MBA por lá e que me relatou que há uma grande possibilidade de se trancar uma biblioteca pública após o expediente e ainda assim encontrar estudantes escondidos e fervorosos em quererem continuar por lá, talvez para ainda aumentar não somente seu capital intelectual atual mas também seu capital financeiro futuro já que se prepararam melhor, conseguindo melhores remunerações e por isso se espalham pelo mundo buscando ou levando conhecimento em setores como engenharia, construção civil, tecnologia da informação, medicina, etc., etc., formando inclusive milhares de novos cientistas a cada ano.

Tudo isso para dizer que enquanto muitos procuram ter e aparecer com o objetivo de serem curtidos até por irem no banheiro existem outros que estão dispostos a serem e de fazerem a diferença em suas vidas e para a sociedade. São aquelas que entendem que para cada escolha existe uma renúncia e que, apesar de ser difícil para nós latinos separarmos o lado emocional do racional, principalmente quando o assunto é dinheiro, o Planejamento Financeiro é tão importante quanto o ar que respiramos. Portanto, viver somente o vaidoso presente e não pensar no futuro pode enquadrá-lo, se já não o enquadrou, nas estatísticas que mostram um aumento de mais 56 milhões de negativados até Maio sendo muitos deles, com certeza, motivados por um dos sete pecados capitais que é a vaidade e pela compulsividade.

Para resumir esse artigo encontrei uma frase do glorioso desenhista e escritor Millôr Fernandes que expressa perfeitamente esse aspecto compulsivo do ser humano:


“O homem é um animal que adora tanto as novidades que se o rádio fosse inventado depois da televisão haveria uma correria a esse maravilhoso aparelho completamente sem imagem”

Rogério Nakata é Planejador Financeiro Certificado pelo IBCF - Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros, Embaixador CFP® para o Vale do Paraíba, Agente Autônomo de Investimentos pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e Palestrante sobre os temas Educação Financeira e Planejamento Financeiro de grandes organizações (www.economiacomportamental.com.br)