quinta-feira, 5 de março de 2015

Prepare-se para a Declaração do IR 2015 e não seja pego de surpresa pelo Leão - Por Rogério Nakata



Que o brasileiro gosta de deixar tudo para a última hora todos nós já sabemos, porém, gostaria de incentivá-los nesse artigo e prepará-los para que não sejam pegos pelo Leão de surpresa, pois, o prazo não tem se prorrogado já faz algum tempo e o limite para a entrega da Declaração de Ajuste Anual tem sido sempre 30 de Abril sendo o início de sua entrega nesse ano a data de 2 de Março.

Para começar é importante deixar a papelada em ordem separando em pastas as despesas que são dedutíveis do IR, como gastos com educação, saúde, despesas com dependentes, contribuições previdenciárias, doações às entidades e pessoas físicas, pagamentos de pensão alimentícia, livro-caixa, etc.

Separe o backup da Declaração do ano anterior, recibos e notas fiscais para que não precise arrancar os cabelos faltando alguns minutos para enviar sua declaração. Tudo isso porque como as despesas são mensais imagine a quantidade de papéis que terá que procurar ou pedir as instituições financeiras se deixar tudo para a última hora.

Dentre outros documentos importantes estão os recibos de pagamentos do carnê-leão, mas também os informes de rendimentos enviados pelos empregadores, de outras fontes pagadoras, Previdência Social, demonstrativos de programas da Secretária da Fazenda como o Programa Nota Fiscal Paulista e de bancos e corretoras que, caso, não os receba até final de fevereiro você deverá entrar em contato com as instituições e solicitar o envio dos mesmos. Tenha em mãos também as informações relacionadas a seus investimentos realizados tanto em Renda Fixa como Caderneta de Poupança, CDBs, Títulos Públicos, Letras de Crédito Imobiliário e Agrícola, Debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários, etc. e em Renda Variável separe as Notas de Corretagem de Operações com ações, derivativos, fundos imobiliários, etc. para que possam ser inseridos não só em Rendimentos Isentos e Não Tributáveis como é o caso do rendimento da Poupança, mas em Rendimentos Sujeitos a Tributação Exclusiva como o caso dos recebimentos de Juros sobre Capital Próprio de ações, pois estes farão parte também do campo Bens e Direitos na Declaração de Ajuste Anual de 2015 ano base 2014.

Para esse ano as Pessoas Físicas que receberam acima de R$26.816,55 no ano de 2014, ou seja, receita mensal superior a R$ 2.234,71 são obrigados a fazer a declaração do Imposto de Renda 2015. Não somente quem obteve essa receita tem que declarar ao fisco mas também se possuírem bens ou direitos com valor total superior a R$ 300 mil além daqueles que realizaram operações em bolsa de valores, de mercadorias e de futuros. Para aqueles que obtiveram ganho de capital na venda de bens ou direitos em 2014 ou fizeram, em caso de alienação do imóvel, utilização do prazo de 180 dias para a aquisição de novo imóvel residencial e que possuíram rendimentos isentos superiores a R$ 40 mil também terão que fazer sua Declaração de Ajuste Anual.

Baixe a partir de Março, os programas de Declaração de Ajuste Anual e de Transmissão da declaração preenchida pela internet para evitar “congestionamentos” de downloads daqueles que não se planejaram e deixaram para fazê-lo aos 45 minutos do segundo tempo.

Procure se familiarizar com o programa e faça sua Declaração aos poucos fazendo comparações entre o Regime Simplificado e Completo sendo que se surgirem dúvidas ao longo do processo de preenchimento poderá ainda recorrer a um contador ou a própria Receita Federal através de seus canais de atendimento ao público. Jamais invente despesas que não existem e que não possa comprovar. Isso vale também para dependentes que não auxilie diretamente financeiramente, também não oculte receitas suas, de dependentes e de outras fontes pagadoras, pois, com o cruzamento de dados através de seu CPF e por meio de um superprograma de compilação de dados da Receita Federal fica impossível burlar o sistema, ou seja, evite cair na temida malha fina do Leão. Se você fizer o dever de casa antes de todos e for um dos primeiros a enviar sua declaração poderá, em caso de restituição, recebê-la num dos primeiros lotes da Receita que será distribuído a partir de 15 de Junho.

Para o preenchimento da declaração a Receita criou um Rascunho do IR 2015 que tem como objetivo facilitar o preenchimento antes do período de entrega do documento de Ajuste Anual. O aplicativo está disponível online e pode ser acessado através de computadores, tablets e smartphones que possuam os sistemas operacionais Android e iOS. Para acessar a plataforma o contribuinte necessita somente digitar seu CPF mais um código de segurança.


Nesse rascunho o contribuinte pode informar seus rendimentos recebidos, quem são seus dependentes, bens adquiridos e vendidos em 2014 e pagamentos realizados. Após a liberação do programa oficial pode-se realizar a migração dos dados para o mesmo.



Reprodução do aplicativo que permite fazer um rascunho da declaração. (Foto: Reprodução/Receita)

Portanto não Procrastine, ou seja, não deixe para amanhã aquilo que você pode começar a fazer ainda hoje com calma e com todos os detalhes necessários para que possa averiguar se houve ou não um acréscimo em seu patrimônio financeiro pessoal servindo de reflexão para o ano que apenas se inicia.

Rogério Nakata é Planejador Financeiro Certificado pelo IBCF - Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros, Embaixador CFP® para o Vale do Paraíba, Agente Autônomo de Investimentos pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e Palestrante sobre os temas Educação Financeira e Planejamento Financeiro de grandes organizações (www.economiacomportamental.com.br)


Armadilhas mentais estimulam o investimento de curto prazo e prejudicam a rentabilidade* - Por Mauro Calil



Comecei esta semana atendendo um cliente com renda de 5.400,00, disponibilidade de 1.800,00 para investimentos mensais e com poupança formada de 360.000,00. Sua demanda era de investir tudo, naquilo que tivesse a maior taxa para o prazo de 3 meses no máximo. Após este prazo renovaria se não precisasse do dinheiro. Não tinha planos, mas … sabe como é, emergências podem aparecer.
Esta é uma situação muito comum aos brasileiros. Buscar o máximo possível na segurança da renda fixa em espaços curtos de tempo. Apesar de saberem que não ter planos de usá-lo no curto prazo e, do conhecimento amplo do fato que, mesmo na renda fixa, a rentabilidade será maior se o prazo for maior.
As finanças comportamentais nos ensinam as heurísticas, regras práticas que orientam o julgamento e avaliação dos investidores. Entre elas, a heurística da representatividade e a heurística da disponibilidade interferem em muito neste comportamento e atrapalham nossa cognição. Vejamos.
Heurística da representatividade é o julgamento por estereótipos ou por modelos mentais de aproximação. O investidor toma sua decisão avaliando a probabilidade de ocorrência de um evento através da similaridade com acontecimentos passados.

Pergunta um: Você lembra de algum plano governamental que tenha prejudicado sua rentabilidade?
Já a heurística da disponibilidade faz com que os investidores julguem como mais prováveis os acontecimentos que recordam melhor, por serem mais salientes na memória ou simplesmente mais recentes, do que acontecimentos de igual frequência mas cujas circunstancias, instâncias ou consequências, não são tão facilmente recordadas.


Pergunta dois: Você lembra de alguma emergência pessoal, sua ou de um parente, onde precisou de dinheiro para te “salvar”?
Para investirmos melhor, fugindo das armadilhas mentais, devemos implementar um plano racional. Voltando ao exemplo de meu cliente, ele tem uma necessidade de e 43.200,00 para manter seu padrão de vida em 12 meses. Assim, dividimos este valor em quatro aplicações para 3, 6, 9 e 12 meses que serão renovadas em seu vencimento. O restante foi dividido em 3 blocos para 24, 36 e 48 meses.

Isso permitiu a ele saltar de uma rentabilidade média de 92,5% do CDI para 109% do CDI já descontado o IR e taxas e sempre dentro da garantia do FGC. Em termos práticos seu rendimento anual saiu de 35.964,00 para 42.379,00. Uma diferença de 6.415,00. Mais que o 13º que meu cliente receberá.
E então, vale a pena planejar melhor seus investimentos?

*O professor Mauro Calil é  especialista em investimentos no Banco Ourinvest.
É também  palestrante e autor dos livros “Receita do bolo” e “Separe uma verba para ser feliz” e proprietário da Academia do Dinheiro, instituição especializada em cursos de educação financeira e finanças.  Possui mestrado pela USP e Pós Graduação em Marketing pela ESPM e certificado pela ANBIMA 
como CEA.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Sempre o melhor para você, sua família e também para o seu dinheiro* - Por Mauro Calil



Poder oferecer o que de melhor exite para sua família, amigos e para você mesmo, é uma dádiva. Queremos aumentar nosso poder de escolha frente às alternativas que se apresentam, à nossa frente, todos os dias.
Para a identificação daquilo que de bom aparece à nossa frente é necessário, em primeiro lugar, saber o que é bom, o que é menos bom e o que é melhor. Alguém já disse que a vida é arte da escolha e, como escolher algo que não se conhece? Quem não sabe que existem linhas aéreas para o mesmo destino e, pelo mesmo preço do ônibus, jamais escolherá o avião para viajar.
Porém, vencida a barreira do conhecimento restará o receio de voar, o medo mesmo. Este poderá ser superado pela recorrência de boas experiências, ou somente com ajuda especializada.
Queremos e devemos oferecer a nós mesmos e, a todos que amamos, o que há de melhor dentro daquilo que identificamos como boas alternativas. O melhor para seu cunhado pode não ser para você ou seu vizinho. OK, isto é bom! Assim todos terão o seu próprio melhor, desde que tenham recursos para adquirir. Aqui falo explicitamente de dinheiro, para concretizar desejos.
Se devemos ter dinheiro para ter o melhor, por que não dar ao dinheiro também o melhor?

Onde está seu dinheiro agora? Na caderneta de poupança, que rende algo como 60% do CDI? Ou em uma aplicação financeira que rende 92% do CDI, já descontado o IR e com a mesma segurança da caderneta?
Se você recebe menos que 95% do CDI, já descontado o IR e corre riscos maiores que o da caderneta, saiba que está maltratando seu dinheiro. Justamente ele, que compra o melhor para você e sua família.

Oferecer o melhor, também ao dinheiro, aumenta suas possibilidades de dar o máximo possível aos que amamos. Se você não tem este conhecimento, ou te resta o medo de ivestir melhor, comece experimentando e buscando ajuda especializada. Isto é um ato de sabedoria e amor próprio.


*O professor Mauro Calil é  especialista em investimentos no
Banco Ourinvest.
É também  palestrante e autor dos livros “Receita do bolo” e “Separe uma
verba para ser feliz” e proprietário da Academia do Dinheiro, instituição
especializada em cursos de educação financeira e finanças.  Possui mestrado
pela USP e Pós Graduação em Marketing pela ESPM e certificado pela ANBIMA como CEA.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Empresas lucram mais com funcionários ricos* - Por Mauro Calil



O tema “Empresas lucram mais com funcionários ricos” está sendo escolhido pelas organizações por verificarem, hábitos nocivos dos funcionários com a própria vida financeira.
Não é incomum vermos pessoas assalariadas se fartarem nos desejos de consumo, usando o crédito fácil e o discurso sedutor da “parcela que cabe no bolso”. Procuramos mostrar aos empresários, de todos os portes, e colaboradores de todas escalas salariais presentes no evento, que devem liderar, dentro de si e de suas empresas, o processo de conscientização sobre os bons hábitos de consumo e uso racional do salário, bem como de melhores formas de investir.
Afinal, quando o salário não sobra, a queixa natural sempre recairá sobre a empresa. Pelo funcionário, será a empresa acusada de mal pagadora, e não o governo de cobrar impostos abusivos sobre a folha de pagamento. Será a empresa acusada de ser exploradora, e nunca haverá má administração do dinheiro por parte dos funcionários que ora acusam.
Culpar alguém por nossas próprias mazelas é uma atitude natural do ser humano. Eu mesmo me queixo que as comidas mais gostosas são as que mais engordam. Mas tanto na alimentação como nas finanças a conscientização é o caminho inicial para a mudança definitiva, aquela que trará a felicidade que se busca.
Aos presentes na palestra, propomos ainda que naturalmente assumam a liderança da mudança em suas empresas. Criar novos hábitos é uma tarefa que precisa de líderes.
Empresas lucram mais com funcionários ricos, afinal ao enriquecer, as queixas deixam de existir e surge a gratidão.


*O professor Mauro Calil é  especialista em investimentos no
Banco Ourinvest e certificado pela ANBIMA como CEA.
É também  palestrante e autor dos livros “Receita do bolo” e “Separe uma
verba para ser feliz” e proprietário da Academia do Dinheiro, instituição
especializada em cursos de educação financeira e finanças.  Possui mestrado
pela USP e Pós Graduação em Marketing pela ESPM

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Feliz Ano Novo? Por Rogério Nakata




As festas de fim de ano se encerraram e muitos já aguardam a próxima comemoração nacional que é o Carnaval que ocorrerá há um pouco mais de um mês dessa matéria. Sem contar que muitos já correram para virar as folhinhas do calendário para confirmar os aproximados 10 feriados prolongados que caem em dias úteis nesse ano de 2015 onde, então, somente nos restará saber qual será a capacidade da população brasileira de gastar com tantas viagens, restaurantes e passeios já que os preços estão lá nas alturas e os empregos em baixa.

Um Ano Novo com cara de Ano Velho e que mostra, num primeiro momento, que não se tem muito a comemorar nesse início de ano já que benefícios trabalhistas foram “reduzidos” mesmo após promessas de campanha eleitoral dizendo que esse era um assunto até então, imexível. Porém, não foi exatamente isso que constatamos com as recentes medidas de ajuste fiscal tomadas pelo novo Ministro da Fazenda Joaquim Levy que apesar de necessárias estouram sempre na mão da ponta mais frágil dessa equação. Dentre as medidas anunciadas estão o aumento do período de seis para 18 meses que o trabalhador precisará se manter empregado para somente depois solicitar o seguro-desemprego em caso de rescisão sendo que para solicitar o benefício pela segunda vez, o trabalhador terá que agora trabalhar por 12 meses seguidos e na sua terceira solicitação, o período de trabalho exigido continuará sendo de 6 meses.

No caso da pensão por morte o governo instituiu um prazo de carência de 24 meses de contribuição do segurado para que o benefício possa ser concedido ao dependente sendo que atualmente não se era exigido tempo mínimo de contribuição para acesso a pensão desde que na data do falecimento o segurado estivesse em dia com suas contribuições.

Foi estabelecido também um prazo mínimo de 2 anos de casamento ou união estável para que o cônjuge receba o benefício oriundo do INSS (Instituto Nacional da Seguridade Social). Além disso, as novas regras de cálculo do benefício reduzem do patamar de 100% do salário de benefício para 50% mais 10% por dependente até o limite de 100%. Somado a isso está o fim da reversão da cota individual de 10%.

Outra mudança está no que chamam tecnicamente como vitaliciedade do benefício por pensão por morte onde cônjuges considerados novos não receberão mais pensão pelo resto da vida como era anteriormente dependendo agora da expectativa de sobrevida do cônjuge sobrevivente.
Já para o caso do Auxílio-doença o trabalhador até anteriormente recebia o benefício após 15 dias afastado de suas atividades com o novo “pacote de bondades” o prazo de afastamento para que a responsabilidade passe do empregador para o INSS dobrou e será de 30 dias com um novo teto para o valor de auxílio que passa a ser a média das 12 últimas contribuições.
Dentre outras surpresas para esse ano estarão com certeza o aumento de impostos como a CIDE incidente sobre os combustíveis e da IOF (imposto sobre Operações Financeiras). Cogita-se também nos bastidores a volta da famigerada CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira) porém uma coisa certa é a recomposição novamente da alíquota de Impostos sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre os bens duráveis como a que está correndo no caso dos automóveis que ficaram 5% mais caros em virtude do retorno de sua alíquota original.

O salário mínimo esse ano ficou também mais “mirrado” já que o cálculo do mesmo leva em consideração o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) ou PIBinho do ano retrasado mais a inflação do ano anterior. Com isso, teremos um ganho real um pouco acima da inflação já que a mesma em 2014 está próxima dos 6,4% e o reajuste do mínimo foi de 8,8% passando de R$724 para R$788.
Para aqueles que trabalham no setor automotivo o ano começou com o pé esquerdo já que muitos receberam, de presente, no último dia do mês de Dezembro telegramas estendo as férias coletivas por mais um período onde depois disso serão demitidos levando por água abaixo os planos e projetos de vida de muitos trabalhadores do seguimento afetando não somente a indústria automobilística mas seus fornecedores, o comércio da região, prestadores de serviços, etc., etc., (fato este já alertado em Dez/14). Por essa razão, peço encarecidamente que revejam seus objetivos e metas para 2015, se necessário busque ajuda profissional e que não se descuidem de seu planejamento financeiro para que as medidas anunciadas daqui em diante não afetem ainda mais o seu bolso e sua Qualidade de Vida pois é desaconselhável nesse momento fazer qualquer endividamento a médio e longo prazo já que muitos não sabem se estarão empregados daqui há um mês.

Mesmo assim, diante de tudo isso, o Congresso se articula para aumentar os salários em até R$33.700 onde entrarão nesse bolo os deputados federais, senadores, ministros do Supremo Tribunal Federal, procurador-geral da República e Defensoria Pública suprindo a inflação acumulada entre 2011 e 2014 já que os mesmos alegam não terem seus recebimentos reajustados desde 2011 (sem contar os benefícios, que no caso dos deputados, o cargo lhes proporciona, como o auxílio aluguel, passagens aéreas, verbas indenizatórias para gastos com alimentação, assessorias, consultorias, combustível e telefonia, além de segurança privada e outras regalias).

Enfim, diante dessas Boas Novas e de outras que estarão por vir em 2015 não se desamine e procure no meio desse maremoto identificar oportunidades já que há um provérbio chinês que diz que onde há uma crise existem também boas oportunidades, então encontre a sua e que você tenha um Excelente e Próspero 2015 que apenas se inicia.



Rogério Nakata é Planejador Financeiro Certificado pelo IBCF - Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros, Embaixador CFP® para o Vale do Paraíba, Agente Autônomo de Investimentos pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e Palestrante sobre os temas Educação Financeira e Planejamento Financeiro de grandes organizações (www.economiacomportamental.com.br)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Renda Fixa também exige diversificação - Por Mauro Calil


No final de 2008 e início de 2009 os investidores, enfim, enxergaram uma alternativa rentável e segura para investir na Bolsa, os Fundos Imobiliários. Eu fui um dos propagadores deste tipo de investimento que, logo depois, se popularizou. Os investidores que nos seguem e, porventura, investiram no início desta propagação, gozam até hoje dos frutos colhidos, mesmo com a queda do valor das cotas. Os rendimentos mensais ainda são muito vantajosos.
Agora quero tratar de outro assunto, a diversificação em Renda Fixa, que também é necessária. Quem já saiu da cadernetinha, quem já deixou de ser “poupanceiro”, conforme venho sugerindo há tempos, já colhe ótimos frutos em LCI, LCA e outros títulos. Porém, como tenho muitos seguidores e, muitos deles também são formadores de opinião, este investimento já se popularizou, e o resultado é que já começamos a enfrentar a falta de lastro de qualidade, ou seja, faltam títulos que nos rendam ao menos 94% do CDI, quanto menos 98% ou 100%.
A saída para isso é diversificar. E neste sentido, lembro de um questionamento que sempre recebo:
- Professor como que os bancos cobram 4, 5 ou 7% ao mês em seus empréstimos e nos remuneram em menos de 1% nas aplicações?
Se um emissor retém 10% de cotas subordinadas ele “acredita menos” nos fluxos que outro que retém 20%, por exemplo. Saliento que este é somente um exemplo e a expressão “acredita menos” fica entre aspas. Na prática, um FIDC com 20% de cotas subordinadas poderia ter uma quebra de até 20% nos recebimentos que o investidor não seria prejudicado. Entendeu a sutileza?
Obviamente que a diferença é lucro bruto da instituição. Ocorre que algumas instituições repassam grande parte deste lucro de forma segura, via Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) com ratings de investment grade e rentabilidades superiores a 100% do CDI já descontado IR, come cotas e taxa de administração. Mais uma vez, como venho alertando recentemente, isso não é ofertado a qualquer um.
Para esclarecer, FIDCs investem seus recursos em carteiras de recebíveis (empréstimos) de operações realizadas em instituições financeiras, indústria, arrendamento mercantil, hipotecas, prestação de serviços e outros títulos admitidos pela CVM. Os FIDCs foram criados com objetivo de dar liquidez ao mercado de crédito, reduzindo o risco e ampliando a oferta de recursos.
O FIDC não é o único caminho para diversificação, mas caso deseje este investimento, a escolha de um bom FIDC envolve a verificação de seu rating, pois este te dará uma ideia da qualidade dos recebíveis e certeza do fluxo, e logo em seguida dê uma olhada na quantidade de cotas subordinadas versus a quantidade de cotas seniores. Rapidamente as cotas subordinadas NÃO são comercializadas e, ficam com os emissores do fundo, sendo as últimas a receber o fluxo dos pagamentos caso ocorram problemas no recebimento.
Já o grau de investimento das agências de rating começa em Baa3 para Moody’s, e BBB- para S&P e Fitch.
De posse das informações, que tal diversificar e turbinar ainda mais seus investimentos em Renda Fixa, tornando mais segura a travessia para os difíceis tempos que virão?


*O professor Mauro Calil é  especialista em investimentos no
Banco Ourinvest, certificado pela ANBIMA como CEA.
É também  palestrante e autor dos livros “Receita do bolo” e “Separe uma 
verba para ser feliz” e proprietário da Academia do Dinheiro, instituição 
especializada em cursos de educação financeira e finanças.  Possui mestrado 
pela USP e Pós Graduação em Marketing pela ESPM.



quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A tranquilidade financeira e o consumo consciente - Por Mauro Calil



Os motivos que levam grande parte das pessoas a terem o desejo de enriquecer é a possibilidade de ter uma vida confortável e também garantir um futuro mais tranquilo. Entretanto, a maioria acaba tendo seus planos prejudicados por acabarem se deixando seduzir pelas armadilhas do consumo fácil ou, como costumo dizer, tolo.

E basta ligar a televisão, o computador e até mesmo o celular para termos à disposição os nossos sonhos de consumo; e para o nosso conforto, eles podem ser parcelados em várias vezes no cartão de crédito ou financiados. Além disso, somos sensibilizados pelos apelos publicitários de que se vestirmos a roupa x ou usarmos o celular y seremos infinitamente mais felizes.

Esse tipo de situação acaba nos proporcionando uma satisfação rápida, porém, o custo desse consumo costuma nos acompanhar por mais tempo do que realmente desejamos e também nos distancia de termos uma reserva financeira adequada.

Há diversos caminhos que podemos trilhar para alcançarmos um patamar de estabilidade financeira, mas, como em todo percurso, alguns obstáculos precisam ser superados. O primeiro é compreendermos que não podemos ser reféns do dinheiro e das dívidas e condicionarmos nossa felicidade e tranquilidade com a capacidade de consumo.

O segundo passo é sempre avaliarmos qual impacto o consumo desnecessário pode ocasionar em nossa vida. Claro que consumir faz parte do nosso cotidiano, mas isso não significa que compramos de forma saudável e é nesse ponto que caímos nas armadilhas do consumo.

Exercemos um comportamento em que somos dominados pelo dinheiro quando consumimos compulsivamente, e isso pode ser resultado de uma série de fatores, como um longo período sem emprego, momento em que somos obrigados a reduzir o consumo, ou se ascendemos de classe social ao longo da vida. E situações como essas acabam adiando a tranquilidade financeira.

A facilidade do crédito que dispomos atualmente é muito mais farta do que há 20 anos e isso atrai uma grande parcela da população que se sentia excluída do comércio e dos serviços. E isso impulsionou um maior número de pessoas dispostas a realizar seus desejos parcelados. Quem poderia imaginar comprar um carro em até 48 vezes, uma geladeira em 24 meses, pagar uma viagem e comprar um imóvel em prazos tão longos.
Essas oportunidades se estenderam para tudo o que nos cerca e caímos em um círculo vicioso de colocar nosso dinheiro em perigo. A tão desejada tranquilidade financeira não é apenas ter dinheiro aplicado. Ela é um novo modo de viver e usar o dinheiro a seu favor.
Existem diversas formas de alcançar a estabilidade financeira e cada uma tem um perfil adequado. Se espelhe nos exemplos de quem superou crises financeiras, independente de seu tamanho, e adapte as suas necessidades. Assim, além de estabilizar suas contas, você terá uma nova mentalidade relacionada a sua vida e ao que realmente lhe faz feliz.


Mauro Calil é palestrante, educador financeiro, autor dos livros “Separe uma verba para ser feliz” e “A receita do bolo".